ACTIVIDADE 7 - A experiência do adulto e a credenciação de saberes 

            Esta actividade teve por base a entrevista realizada a uma ex-aluna de um processo de Reconhecimento, Validacao e Certificacao de Competencias (RVCC). O objectivo desta entrevista era perceber qual a impressão que a pessoa tinha sobre este processo e, para isso, foi pedido que o caracteriza-se, nomeadamente, através das etapas do processo. Outra das intenções era perceber quais os efeitos, a nível pessoal, profissional e familiar, que a pessoa considerava que tinham decorrido daquele processo.

            Hoje em dia a frequência na escola e, consequentemente, a obtenção de um diploma é cada vez mais importante. De facto, quando discutimos em grupo a questão dos processos RVCC e Educação e Formação de Adultos (EFA) promovidos pelos Centros de Novas Oportunidades (CNO’s), considerámos que, cada vez mais, para qualquer emprego é necessário uma formalização das aprendizagens/competências que em termos de mercado se traduzem num diploma/ currículo.

            Após a recolha do testemunho de uma ex-aluna do processo RVCC, o grupo sentiu necessidade de contrapor e/ou comparar o processo com a legislação que o suporta. Assim, tendo em conta a legislação vigente, bem como a informação disponibilizada no programa dos CNO’s, o grupo atentou no processo em termos de objectivos/missão, características e etapas.

            Em termos de missão, reporta-se a «assegurar a todos cidadãos maiores de 18 anos uma oportunidade de qualificação e de certificação, de nível básico ou secundário, adequada ao seu perfil e necessidades, no âmbito da área territorial de intervenção de cada Centro Novas Oportunidades» (Carta de Qualidade dos Centros Novas Oportunidades, 2007:10), inscrito na lógica de uma «(…) política efectiva de aprendizagem ao longo da vida, valorizando socialmente os processos de qualificação e de certificação de adquiridos» (idem). Desta forma, o programa pretende dar ênfase às aprendizagens ao longo da vida, não apenas em termos de aprendizagens em contexto formal/escolar, mas em simultâneo com as aprendizagens em contextos informais e não-formais. Estas aprendizagens são sempre significativas para o indivíduo, qualquer que tenha sido o contexto em que implícita ou explicitamente as tenhas adquirido.

            O indivíduo aprende e constrói-se como ser social em todos os contextos, sejam estes, familiar, de amigos, laboral, em actividades recreativas, desportivas, sindicais, etc., e também através dos meios de comunicação social. É nesta lógica que a finalidade do processo RVCC se centra no objectivo de «incentivar e apoiar os adultos a reflectirem sobre experiências de vida significativas e saberes/competências mobilizadas» (ibidem: s/p).

            Para a concretização destes objectivos o processo é caracterizado pela abertura a todos os interessados, pela valorização da diversidade de perfis, motivações, experiências e expectativas. A cada aluno/adulto é pedido para atentar na construção da sua história de vida, ou seja, nos acontecimentos-chave da mesma, promovendo a reflexão crítica, valorizando sempre a experiência e respeitando o significado destes para cada um.

            Deste modo, o processo de RVCC tem como primeira etapa o acolhimento realizado pelos técnicos responsáveis, dos adultos/ futuros alunos, que consiste num diagnóstico para um melhor encaminhamento. Como refere a nossa entrevistada «no início do ano lectivo dirigi-me à escola para uma reunião com um psicólogo a fim de me encaminhar para o curso mais adequado aos conhecimentos que possuía (…) que mais se adaptava às minhas necessidades» (Testemunho). A mesma refere que o processo passou pela realização de trabalhos não-presenciais, que culminaram num portfólio reflexivo de aprendizagens (PRA). Este portfólio «(…) foi defendido perante um júri composto por elementos internos e externos à escola» (Testemunho) que permitiram a validação das competências.

            Em termos de mudança, o programa pretende que os resultados tenham impacto no quotidiano dos adultos, quer a nível do desenvolvimento pessoal, profissional, social, inter-relacional e, até mesmo, formal/escolar. Contudo, no caso da entrevistada estes efeitos não são lineares, no sentido em que não teve qualquer impacto na sua vida profissional. No que toca à sua vida pessoal diz: «sinto que evolui nos meus conhecimentos, principalmente, no que respeita à língua portuguesa (…) na minha forma de ver o mundo e a importância da escola (…)» (Testemunho).

  

Referência Bibliográfica:
“Carta de Qualidade dos Centros Novas Oportunidades (2007)
http://www.avaliadores.anq.gov.pt/np4/?newsId=10&fileName=carta_qualidade.pdf

Nota: Estes vídeos foram retirados do site youtube não sendo por isso da nossa autoria